Para se ter noção do tamanho da encrenca…

o tema “Exame de Ordem” foi objeto de matéria da revista Veja distribuída neste Domingo, 14/08.

A matéria relata a angústia paradoxal que circunda o Exame de Ordem.

Uns amargam o sabor triste, e às vezes desesperado, da derrota, do fracasso e do dissabor de uma reprovação no exame de proficiência. Outros, geralmente os mais calejados na vida como causídico – e até mesmo os advogados mais “moços”, como eu – amarguram um certo sentimento de incerteza. Os sentimentos e angústias são os mesmos. A diferença é apenas vetorial, vejamos…

A extinção do Exame da OAB traria muita alegria para os milhares de candidatos que há anos esperam por poder advogar. Além destes, que já são inúmeros, todos os bacharéis formados ano a ano seriam também advogados. Agora, pense o seguinte: estariam eles preparados para o ofício?

Pense comigo…

graduei-me em instituição de ensino superior privada (aliás, privada… bem, deixa pra lá!). E posso afirmar, sem a menor sombra de dúvida e sem medo de represálias, que qualquer um entra numa faculdade de Direito (particular, que fique bem claro) e sai formado. QUALQUER UM!!! Não sejamos ingênuos! Você que frequentou uma instituição particular sabe do que eu falo.

Conto-lhes um “causo” que aconteceu comigo em pleno 9º semestre de faculdade… (lembrem-se, hein!!! 9º semestre + 10º semestre = fim de faculdade = graduado em Direito/bacharel, digamos que “teoricamente-quase-um-advogado”)

Enfim, no nono semestre um colega de turma me chamou e pediu ajuda em um trabalho (não me recordo de qual matéria). Quando comecei a explicar o assunto o acadêmico me pergunta: (atenção, hein!? Essa pergunta me tirou o sono por semanas!)

“Adachi, o que é jurisdição?”

Bem… diante de uma questão tão complexa como a apresentada pelo meu ex-colega de turma (não citarei nome, digo apenas que o cidadão ainda está vivo, não passou na OAB e pelas costas chamo-o de “pequeno analfa”, rsrs. Putz, que maldade a minha.) passei a desacreditar no ser humano! Jurisdição a gente aprende no primeiro semestre. O abençoado acadêmico chegou ao nono semestre sem saber.

E então, os que militam contra o Exame da Ordem atribuem o fracasso na prova à conta exclusiva do ensino das faculdades. Se eu cursei ensino superior em instituição particular e fui aprovado no exame da OAB, utilizar esse critério para refutar a prova é insuficiente. Na verdade, beira o ridículo. Passar pela faculdade sem tocar nos livros… não tem como! Achar que assistir às aulas basta para saber o Direito… ledo engano.

Brincadeiras à parte, esse é o cenário real.

Se ceifarem o Exame de Ordem da órbita jurídica o “Pequeno Analfa” poderá advogar e a sociedade estará correndo grande perigo!

É o que eu penso!

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